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Priorizando técnicas menos invasivas, médico neurocirurgião do Hospital Universitário Cajuru chega a 3 mil cirurgias

Procedimentos de alta complexidade são realizados em uma instituição que atende 100% SUS

São 51 anos de idade e 23 anos de trabalho no Hospital Universitário Cajuru (HUC). Durante esse período de atuação, o neurocirurgião Carlos Alberto Mattozo atingiu um índice expressivo. Neste mês de agosto, completou 3 mil cirurgias. Em busca de procedimentos menos invasivos, o especialista destaca a importância de chegar a esse marco trabalhando em um hospital que atende 100% SUS e que oferece os mesmos métodos que muitas instituições particulares.

Formado em medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 1996, o profissional destaca o fato de ter concluído seus estudos em instituições públicas. “Estudei em escola pública, fiz ensino técnico em Eletrônica no antigo CEFET e também me formei em medicina na UFPR. Sempre me orgulhei de ter estudado em instituições públicas”, afirma.

Além de atender pelo HUC, Mattozo também exerce sua função como neurocirurgião nos hospitais Marcelino Champagnat e Pequeno Príncipe. Também é professor de medicina na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Técnica menos invasiva

Em seu trabalho no HUC, o médico tenta buscar métodos e tratamentos que sejam menos invasivos e que não tragam tanto desconforto para o paciente. Isso tudo apesar da alta complexidade de muitos casos tratados pelo especialista e sua equipe.

Isso significa que em seus métodos ele busca envolvem menores cortes e incisões, ou até mesmo a ausência de cortes, graças ao uso de tecnologias adequadas para as operações. Ele cita como exemplo o procedimento na glândula hipófise, que fica na base do cérebro. “Em caso de tumor na região, temos acesso por vídeo e por meio da narina, e é possível tirar o tumor sem nenhuma incisão”, explica.

Além disso, ele diz que chegar a uma cirurgia é uma decisão que precisa ser muito bem avaliada. “A decisão de fazer ou não a cirurgia tem que ser tomada pensando na pessoa. Sempre é importante analisar se é possível evitar a cirurgia”, diz.

Avanços

Em seu trabalho, Mattozo tem buscado avanços que beneficiam tanto o procedimento cirúrgico quanto a recuperação de pacientes. Ele cita como exemplo o fato de ter realizado, em 2019, a operação de retirada de um tumor cerebral de uma paciente que não precisou ficar na UTI. “Após 24 horas da cirurgia, ela já teve alta. Não era um tumor complexo, na UTI, apesar de o paciente ter um cuidado excelente, mantê-lo nessa situação causa um certo trauma”, diz. 

Outra situação relatada pelo especialista foi a oportunidade de fazer pelo SUS no Hospital Universitário Cajuru a primeira operação de retirada de tumor cerebral com paciente acordado.

Ter essas tecnologias e métodos disponíveis em um hospital que atende 100% SUS como o Cajuru é algo bastante positivo, segundo o especialista. “Isso é uma alegria muito grande. A gente acaba operando uma pessoa com os mesmos procedimentos usados em hospitais particulares e em outros países. Conseguimos oferecer o melhor tratamento em neurocirurgia para os pacientes do SUS”, destaca.

Curiosidades

Com 3 mil cirurgias em seu histórico profissional, Mattozo comenta que, em média, faz 25 procedimentos por mês, mas esse número depende da época do ano. Nos meses de final e começo de ano, por exemplo, os números de cirurgias diminuem e acontecem, na maioria, cirurgias de emergência.

O tempo em que o especialista se dedica ao trabalho no centro cirúrgico também varia. De algumas horas, ou até um dia inteiro. Uma dessas situações chamou a atenção quando ele e sua equipe ficaram 25 horas em um procedimento para retirada de um tumor. “Começamos em um dia de manhã e terminamos no outro dia de manhã. O paciente estava com um tumor, que era benigno, mas em uma área difícil para fazer o procedimento. Mas tudo ocorreu bem e atualmente ele está trabalhando normalmente”, conta.


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